A influência do Ortodontista no tempo de Tratamento Ortodôntico – PARTE 2

     Na primeira parte deste texto, discorremos sobre fatores potencializadores e limitantes da velocidade do tratamento ortodôntico, nesta busca incansável da Ortodontia por resultados mais céleres.

     Além de técnicas que efetivamente tem sucesso em diminuir o tempo de movimentação dentária induzida, abordamos a importância da atenção constante às unidades de ação e reação, com o objetivo de controlar efeitos colaterais muitas vezes indesejados e que podem promover acréscimos consideráveis ao tempo de tratamento. Por fim, tecemos breves considerações sobre ancoragem esquelética e sua imprescindibilidade na Ortodontia atual.

     A atenção demasiada (e justa) a aspectos mais amplos do tratamento como diagnóstico, planejamento, manejo do paciente (instruções, cobranças e motivação) bem como a necessidade de realizar atendimentos de qualidade porém  em grande volume, muitas vezes nos leva a negligenciar pequenos aspectos da mecânica ortodôntica que cobram um preço amargo aumentando o tempo de tratamento. Pequenos detalhes que somados fazem grande diferença no tempo total.

     Nesta fase inicial de todo tratamento ortodôntico, há em geral inúmeras frentes a se atuar. Dentes girovertidos, apinhamentos, diastemas além é claro, de ser a fase em que o paciente, ainda em fase de adaptação ao aparelho, mais demanda nossa atenção, seja em instruções (recorrentes, muitas vezes) sobre higiene e alimentação, seja em recolagens de peças e acessórios.

     Essa miríade de “afazeres” muitas vezes tira o foco de efeitos colaterais de mecânica que, quando detectados, nos espantam de como não foram percebidos a seu tempo. Pequenas iatrogenias, perdoáveis até (quem nunca?) mas que demandam tempo para sua correção. Tempo que não será cobrado pelo paciente nesta fase (não esqueça que há a empolgação natural com  o “novo”, muitas cores a serem exploradas) mas que fatalmente nos tirarão a tranquilidade de uma finalização mais detalhada com a pressão para a remoção do aparelho – tempo perdido desnecessariamente que poderia ser capitalizado na fase final do tratamento.

     Exemplo bastante simples pode ser observado na Figura 1. Para o nivelamento do canino superior (seta vermelha), houve a necessidade de evolução até um arco de maior rigidez (0.018” de aço) a fim de minimizar o efeito intrusivo (setas verdes) que fatalmente ocorreria caso um fio único de maior flexibilidade passasse de uma única vez por todos os slots. Ao mesmo tempo, um arco de grande flexibilidade (NiTi 0.012”) vai “buscar” o canino em supra-oclusão.  Repare que o arco de NiTi também não é inserido no slot do incisivo lateral. Na Figura 2, pode-se observar um mínimo de efeito sobre as unidades de reação (incisivos e pré-molares).

     Os exemplos a seguir mostram casos em uma fase um pouco mais adiantada do tratamento, onde também  pode haver efeitos iatrogênicos na mecânica ortodôntica que resultem em necessidade de realinhamento ou renivelamento, atrasando a evolução do tratramento.

     A Figura 3 mostra movimento de mesialização de dentes inferiores para correção da relação II de caninos. Há ausência do 1° molar inferior esquerdo e uma mola aberta foi inserida entre o 2° molar e o 2° pré-molar. Se distraidamente não fosse colocada uma mola fechada entre 1° e 2° pré-molares, fatalmente o 2° pré-molar sofreria giroversão, causando a interrupção temporária da correção sagital.

     E o que aconteceria ao incisivo lateral e canino da Figura 4 se não tivesse recebido “com carinho”  amarrilhos metálicos nas aletas opostas ao elástico em corrente? 

     Gostaria de concluir salientando que o trabalho de um Ortodontista é avaliado, sobretudo, pela qualidade com que finaliza seus casos. Mas não se pode ignorar o fator “tempo de tratamento” nos dias atuais. Devemos entregar casos bem finalizados, no menor tempo possível dentro das possibilidades técnicas e limitações biológicas. Aquele profissional que procura finalizar bem os seus casos, não se descuidando dos detalhes e mantendo o foco nas unidades de ação e reação, de forma a  antecipar e minimizar possíveis efeitos indesejados, certamente estará mais próximo da excelência.

Que não se tenha pressa, mas que não se perca tempo”.

Miriam Lewer

Esse post foi criado pelo Professor:

Augusto Iunes

Professor do Instituto Marcelo Pedreira

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